Dez ciclistas por minuto em Copacabana

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A ciclovia da orla de Copacabana é certamente um dos locais mais movimentados no Rio de Janeiro e certamente no Brasil. Até o dia 17 de agosto de 2014 não havíamos parado para contar. E foi num domingo de sol em pleno inverno carioca que foi pra rua a Eco-Counter para definir com precisão a quantidade de ciclistas que passaram por ali ao longo de um dia. E novamente na quarta-feira 20 de agosto a contagem foi repetida.

Vale destacar alguns percentuais. Enquanto nas ruas internas de Copacabana 8% dos ciclistas são mulheres, na orla esse percentual é de 27%. Números se invertem em relação as bicicletas de serviço 36% nas ruas internas e 7% na orla. Mas mesmo assim é possível derrubar um mito 48% dos ciclistas na orla se deslocavam para trabalho ou estudo.

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Total de ciclistas na orla de Copacabana:

Escolher inicialmente o domingo foi proposital para ter como base comparativa com um dia de semana. Nos domingos há ainda a possibilidade de utilizar a área de lazer, o que ajudou a aumentar o número total. Em menos de 12 horas, foram cerca de 7.496 bicicletas que cruzaram o mesmo ponto, um fluxo de 625 ciclistas por hora ou 10 por minuto. Um trânsito intenso, com uma bicicleta a cada 6 segundos.

Do total, exatos 5.850 trafegavam na ciclovia ou 487 ciclistas por hora.

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Naturalmente que ao longo da quarta-feira os números foram menores, mas ainda assim impressionantes. Pelo mesmo ponto, passaram 3.894 ciclistas quase 325 ciclistas por hora. Ou 5,5 por minuto. A turística praia de Copacabana além de ser um excelente espaço de lazer aos domingos é também um importante eixo de deslocamento durante a semana. Um espaço para cruzar com tranquilidade a praia que é cartão postal brasileiro.

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Contagens automáticas de ciclistas

Os testes com o equipamento de contagem ciclistas no Brasil foram certamente pioneiros e parte do interesse da Transporte Ativo em entender e quantificar o uso da bicicleta nas cidades. Uma ferramenta pela valorização do mais prazeroso, prático, eficiente e agradável meio de transporte jamais inventado.

Claro que o hábito e o prazer das contagens fotográficas de ciclistas também aconteceu dessa vez. Justamente desse levantamento que vieram as belas imagens que ilustram esse post.

As contagens automatizadas através do Eco-Counter foram uma parceria com a Sacis Soluçōes Ambientais que representa o equipamento no Brasil.

Baixe o relatório completo.

Lições de Ano Novo nas ruas

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O Ano Novo em Copacabana é festa de milhões, na virada para 2013 estima-se que foram no total quase 2,5 milhões de pessoas na Orla para conferir a queima de fogos e celebrar a chegada do novo ano.

Garantir aos pedestres a exclusividade na circulação em todas as ruas do bairro provou-se uma medida acertada. O horário inclusive teve de ser aumentado. Inicialmente Copacabana estaria só para pedestres das 22h do dia 31 às 4h do dia 01, mas o horário foi entendido até as 5:15h para garantir a fluidez e segurança das pessoas.

Houve exceções, claro, com alguns motoristas particulares circulando no horário proibido. A Prefeitura informou que os infratores serão multados. Mas nem isso apagou a tranquilidade nas ruas, a massa de pedestres obrigou a todos a manterem velocidades seguras, afinal, as ruas voltaram a ser, ainda que por algumas horas, das pessoas.

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Algo para melhorar em relação ao próximo ano é a logística de abastecimento e limpeza da festa. Proibidos de circular desde as 18h dentro de Copacabana, os caminhões de gelo não foram levados em consideração, junto com seus parceiros inseparáveis, os triciclos de carga. No próximo ano esse produto tão necessário à festa precisa ser levado em consideração. Basta separar um espaço de estacionamento de caminhões de gelo dentro do bairro até as 18h e outro fora após as restrições de circulação.

Já em relação as sobras da festa, pouco ou nada mudou. A quantidade de resíduos aumentou e a dependência dos caminhões nas ruas e tratores nas areias permaneceu a mesma. Encerrada a festa, já na manhã do dia 01, entra em cena a marcha dos garis, responsável pela remoção de toneladas de resíduos, muitos deles recicláveis, direto para os aterros sanitários da cidade.

Uma festa tão grande, com tanta alegria não deveria acabar com tanta sujeira. É possível manter o bairro todo para a circulação humana e investir na limpeza ainda durante a festa, sem esperar os caminhões, mas com triciclos de carga também para o transporte de resíduos para fora do bairro para facilitar a reciclagem e manter o bairro limpo ao invés de remediar as consequências.

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Réveillon em Copacabana para pessoas

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Todos os anos Copacabana é palco do grandioso espetáculo de fogos. Todos os anos, milhões de cariocas e turistas deslocam-se até as areias de Copacabana.

O volume enorme de pessoas implica em uma organização logística dos deslocamentos e em um aprendizado constante da cidade. A restrição de acesso dos veículos motorizados ao bairro já é tradicional e somada as restrições de estacionamento limita a quantidade de carros e motos, resguardando a circulação de todos.

Desde a inauguração das estações do metrô em Copacabana, os trilhos entraram na equação logística, mas por sua eficiência tornaram-se também um componente a ser levado em consideração. As enormes filas de usuários depois da queima de fogos implica em uma barreira humana para os ônibus cruzarem o bairro.

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Em 2012 esse problema, espera-se, será solucionado através da completa restrição de veículos motorizados particulares e coletivos dentro de Copacabana a partir das 22 horas. Assim, depois da festa as pessoas deverão caminhar até fora de Copacabana para acessar os ônibus. Assim, ambulâncias e veículos de emergência poderão cruzar o bairro com facilidade, assim como taxis para deficientes.

Aos poucos nossas cidades aprendem a se readequar aos cidadãos, e o Réveillon em Copacabana é um bom ensaio para adequar a demanda de deslocamentos de muitas pessoas em festas e eventos no espaço público.

Leia notícia sobre as restrições de circulação motorizada em Copacabana no Réveillon 2013.

Mobilidade+ Logística


O Mobilidade+ foi uma realização do Studio-X Rio e ITDP Brasil, com apoio da Comissão Andina de Fomento (CAF) e parceria de C40 Rio de Janeiro, Rede para o Transporte Sustentável de Baixo Carbono (SLoCaT), Transporte Ativo e ONU Habitat, resultando num consórcio composto por alguns dos principais atores globais em transporte sustentável e desenvolvimento urbano.

As palestras agora podem ser vistas online. Para representar a Transporte Ativo, Zé Lobo falou sobre a logística das entregas em bicicleta. Um estudo de caso pioneiro feito pela TA e que mais uma vez ganha destaque. Afinal, os milhões de quilômetros pedalados todos os anos em Copacabana são um indicador claro de qual caminho seguir para viabilizar nossas cidades.

Confiram os vídeos Mobilidade+.

Arte carioca e as bicicletas

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Foto: Thiago Cristaldi Carlan/Divulgação

As cidades respiram arte, e pela soma de diversidades humanas, produzem cultura. Uma reportagem da Folha de São Paulo, focada na rivalidade artística entre cariocas e paulistanos, indiretamente fala sobre os impactos da atmosfera urbana na produção artística.

O Rio de Janeiro é a cidade do informal, da produção que visa mais que o lucro financeiro. São Paulo é onde está o dinheiro de grandes galerias, colecionadores e o mercado. Até que ponto esse clichês são verdadeiros é algo a ser debatido.

No entanto, um detalhe na foto que ilustra a matéria chama atenção de qualquer ciclista, a presença da bicicleta como acessório do artista. E a partir daí é possível mergulhar naquela que é uma grande riqueza carioca, seus espaços públicos.

Além de riqueza e belezas naturais, desde os tempos de João do Rio, os cariocas produzem reflexões sobre a tal Alma Encantadora das Ruas. Não é só a exuberância das praias e dos maciços rochosos que vem a inspiração carioca, mas da fluidez de encontros, conflitos e convívios somente possível nas ruas. Nas esquinas com seus botecos, nas ladeiras de Santa Teresa, sob os Arcos da Lapa ou em uma lanchonete em Copacabana.

O carioca é das ruas e por isso a bicicleta é o veiculo perfeito para quem produz sua arte na Cidade Maravilhosa. Quem pedala pode flanar sem rumo, ou voar rumo ao um destino certo, basta escolher.

A matéria da Folha pode ser lida na integra, somente por assinantes, aqui: Bonitos Bacanas Sacanas Modernos