Medellín e as bicicletas

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O desafio das cidades é global, mas o capítulo latino americano é certamente um caso a parte. As grandes metrópoles ao sul dos Estados Unidos enfrentam problemas similares, bem como soluções.

A convite da prefeitura de Medellín, a Transporte Ativo participou da Semana da Mobilidade Humana e Sustentável na cidade. Foram quatro dias de evento nos quais pudemos apresentar muito do que fizemos e fazemos, além de realizar oficinas de planejamento cicloviário participativo e uma pequena amostra de contagem de ciclistas.

Capital da província de Antióquia, Medellín está no vale do rio que dá nome a cidade e a cerca de 1.500 metros de altura em relação ao nível do mar. Ao redor do planalto central, no entanto, muitas montanhas que chegam aos 2.500 metros.

As estradas que dão acesso à cidade são o paraíso dos ciclistas escaladores. Com ganhos de elevação dessa ordem de magnitude, pedalar pelos Andes colombianos é garantia de ganho na performance. Tanto que o talento nacional nas provas de ciclismo renderam o apelido de “Escarbajos” (escaravelhos ou besouros) aos atletas do país e é também assim que se definem os “speedeiros” por lá.

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Mas nem só de performance se faz a cultura ciclística. Bicicletas simples usadas por trabalhadores, uma malha cicloviária pequena  de qualidade, um sistema de bicicletas públicas, hipsters, dobráveis, elétricas.

Medellín tem muitos dos desafios e soluções que se espalham pelo mundo. Em relação à malha cicloviária, o desafio, para além da necessária expansão da rede, está nos cruzamentos. A quantidade de pistas velozes no coração da cidade implicam em cruzamentos e desvios que desfavorecem quem pedala. São tempos de espera longos e caminhos menos diretos.

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A Transporte Ativo em Medellín

Justamente por estarem cientes das necessidades da cidade, a prefeitura de Medellín convidou a Transporte Ativo para sensibilizar técnicos e também ensinar técnicas de colaboração entre a sociedade civil e o poder público.

Mas, como é também comum ao redor do mundo, a dificuldade está em trazer para a discussão quem está distante do debate. No geral, a participação da administração local esteve centrada nos técnicos da gerência de mobilidade humana, todos já devidamente sensibilizados.

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Nossa presença no entanto foi um ganho na interação entre poder público e sociedade civil. Pudemos espalhar nossa paixão  por levantamento de dados que ajudam a melhorar a cidade em prol de quem pedala. As contagens de ciclistas e o planejamento cicloviário participativo (a tecnologia social do projeto Ciclo Rotas Centro) deram a tônica de como promover a bicicleta de maneira positiva e propositiva.

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Por fim, aproveitamos para apresentar também o perfil do Ciclista 2017, que está sendo realizado em Medellín, além de 28 cidades no Brasil e outras 26 cidades de 9 países da América Latina. Um esforço pan-americano na promoção ao uso da bicicleta.

Transporte Ativo é finalista do PrêmioTecnologias Sociais

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O Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social 2017 divulgou recentemente as 18 iniciativas finalistas das seis categorias nacionais e três internacionais. Nove das selecionadas para a fase final são do estado de São Paulo, dentre as outras metodologias, três são da Bahia, duas do Ceará, duas do Distrito Federal, uma da Paraíba e uma do Rio de Janeiro.  Veja aqui a lista das finalistas do Prêmio

Todas as tecnologias inscritas foram avaliadas por comissão composta por assessores da Fundação BB e representantes da Unesco, Banco Mundial, Ministério do Desenvolvimento Social, Secretaria da Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário e o Governo do Distrito Federal.

As categorias da premiação estão alinhadas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propostos pela Organização das Nações Unidas para a Agenda 2030. O Prêmio tem como objetivo promover as tecnologias sociais como ferramentas de baixo custo e com envolvimento das comunidades para o desenvolvimento sustentável.

Antes de ser classificada para a fase final, cada tecnologia foi avaliada conforme os parâmetros de mérito da transformação social, efetividade, reaplicabilidade, interação com a comunidade, inovação social, respeito aos valores de protagonismo social, cultural, cuidado ambiental e solidariedade econômica, e ainda, com validação dos documentos exigidos noregulamento ato de inscrição.

“Identificar e reconhecer tais metodologias é muito importante, pois as tecnologias sociais constituem-se em valioso instrumento de transformação social”, declarou Asclepius Soares, presidente da Fundação BB.

Esta edição do Prêmio tem a cooperação da Unesco no Brasil e o apoio do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), do Banco Mundial, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Este prêmio contempla todos os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

Postagem original e mais sobre o prêmio, clicando aqui.

Ciclo Rotas, tecnologia social em favor da bicicleta

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Inovação em favor da bicicleta o projeto “Ciclo Rotas – Metodologia cidadã de planejamento cicloviário” passa a ser uma tecnologia social certificada pela Fundação Banco do Brasil.

O “Ciclo Rotas – Metodologia cidadã de planejamento cicloviário” nasceu da necessidade de criar um mecanismo de participação pública capaz de ajudar o poder público a construir mais infraestrutura para bicicleta e ao mesmo tempo estabelecer as bases para a interlocução e futuras parcerias entre a administração municipal e a sociedade civil.

Trata-se da união de diversos grupos de interesse, moradores, ciclistas, população flutuante e demais pessoas interessadas para a produção de um projeto pronto de melhoria viária voltada a circulação de bicicletas. Através da tecnologia social utilizada na elaboração das Ciclo Rotas é possível (re)pensar todo uma área da cidade em acordo com as diferentes necessidades de circulação e apresentar um resultado pronto para ser executado pelo poder público, seja em parceria com a iniciativa privada ou diretamente.

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Com a certificação, a tecnologia passa a compor o Banco de Tecnologia Social (BTS) da Fundação BB, que agora conta com 995 iniciativas aptas para reaplicação. O BTS é uma base de dados online, que reúne metodologias reconhecidas por promoverem a resolução de problemas comuns às diversas comunidades brasileiras. Neste banco, todas as tecnologias sociais podem ser consultadas por tema, entidade executora, público-alvo, região, UF, dentre outros parâmetros de pesquisa. Para consultar o banco basta acessar o endereço eletrônico: tecnologiasocial.fbb.org.br. Também é possível consultar este banco de dados por meio do aplicativo de celular “Banco de Tecnologias Sociais”, disponível para aparelhos Android e IOS.

Esta edição tem a cooperação da Unesco no Brasil e o apoio do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), do Banco Mundial, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Saiba mais:
Mais sobre o Ciclo Rotas Centro.
Mais informações sobre a certificação no site da Fundação Banco do Brasil.